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(Alceu Valença)

“Primeiro a luz e o verbo depois reluz invenção,
o sopro, o barro, a vida, na carne de uma canção.

É como um sonho, uma reza, um marco de solidão,
a energia dos doidos, motor da imaginação.

E não me peça que eu mate o moleque que mora comigo
ele é feito de barro, é meu lado bandido,
é meu lado palhaço, é meu lado doído.

xirum babá jê jêrêrê ami sem dadá cafi com você

Pii sem Holanda, negão com Luanda
nos braços da noite curtindo pra ver
só o amanhecer iêiêiê
o galo que vai cantar côcôrôcar
a cobra que vai dançar o tchá-tchá-tchá
o bode com seu chapéu, bé-bé-bé-bé
e o palhaço quem é? quá-quá-quá-quá
mas o palhaço quem é? va-len-ça-ça”

Com essa onda de MP3, fazia um tempão que eu não ganhava um cd de música, ontem Érika e Matheus me deram de presente o disco Rosas e Vinho Tinto do Capital Inicial e não pude deixar de lembrar que o Glacial me falou certa vez pelo ICQ do prazer de ouvir as músicas acompanhando as letras no encarte, ler os créditos do trabalho, os agradecimentos etc.

Calma! eu não acabo de ter uma crise ética e com isso vou apagar todos os meus MP3′s e quebrar meus discos CD-R, nunca! Só estou querendo dizer que há sim grandes vantagens em se comprar o trabalho original. Claro que o mercado vai mudar, mas enquanto isso vamos comprar o disco dos caras senão vamos ter que ficar ouvindo o trinômio pagode-axé-sertanejo direto na mídia.

Odeio quando uma música que eu gosto é selecionada para a trilha sonora de uma novela e vira sucesso nacional, as rádios começam a tocar a música sem parar, e a gente acaba enjoando de ouvir a canção. É o que estão fazendo com o novo hit dos Titãs, música e letra muito legais Epitáfio já tá começando a perder o brilho de tanto ser executada.

Vou colocar a letra aqui por que vale a pena:

Epitáfio
Titãs

Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Esta é a capa do LP “Todos os Olhos” de Tom Zé que foi lançado no ano de 1973, em plena ditadura militar e no auge da censura no Brasil.

Sim, mas o que ela tem de mais? Preste bem atenção e me responda, a foto da capa é de que? Seria um olho conforme sugere o título do disco? não! Seria uma boca segurando uma pequena bola de gude? também não.

Na verdade a foto retrata o ânus de uma distinta mulher-da-vida contratada por Tom Zé e um fotógrafo amigo para realizar a capa do LP. Ele disse em entrevista que fez isso pra tirar um sarro com a censura, e morria de rir quando passava nas lojas de discos e via lá exposto bem grande um fiofó com a bola de gude atachada. :-)

Mais uma banda dos anos 80 ressurge das cinzas, agora foi a vez do RPM voltar com a sua antiga formação e resgatar Paulo Ricardo das profundezas sonoras da música romantica.

Minha adolescência foi durante os anos 80 portanto vivi intensamente esta febre do Rock Nacional fui vocalista de uma banda e não perdia um show do Legião nem do Engenheiros adorava também Capital, Hojerizah e Uns e Outros. Mas do RPM eu só curtia algumas músicas entre elas A Cruz e a Espada e Juvenilia.

Ontem à noite assisti ao especial da MTV com o show de lançamento do novo CD da banda e confesso que fiquei decepcionado, a mixagem estava horrível, não se ouvia a guitarra do Fernando Deluqui, o teclado estava muito alto e na música instrumental Naja a percussão tocada pelo convidado especial, o pernambucano Otto, estava muito baixa também. Tudo isso sem falar nos arranjos bregas das músicas antigas e as duas novas que eles tocara muito ruinzinhas também. Só acho que vai vender porque eles fizeram muito sucesso na época e o recall das músicas é muito grande. A turma vai comprar por saudosismo. Mas assim era melhor ter simplesmente remasterizado e relançado os discos antigos. Uma pena.

Jornalistas mortos não mentem. 

Esta frase não é minha, trata-se de um verso da genial música Por Pouco que dá título ao último álbum da banda pernambucana Mundo Livre S/A, e ela está aqui em homenagem ao repórter que escreveu a matéria que me fez publicar o post do dia 24 (ai em baixo). O anúncio da saída do vocalista da banda The Mission é uma tremenda mentira, puro boato, desmentido pelo Fábio Massari no jornal da MTV.

É triste ver como até uma agência internacional como a Reuters publica coisas sem verificar, na imprensa marrom isso é esperado, mas é incrível como a ânsia por publicar “furos” faz com que veículos e agências sérias cometam essas furadas.

Só fui encontrar uma matéria realmente bem feita sobre o Abril Pro Rock no Underweb.

Por isso que eu acredito que os sites independentes na web e o fenômeno dos Blogs realmente vão revolucionar a comunicação social no mundo.

Caramba! The Mission vai acabar, saiu nesta matéria da agência Reuters! Isso significa que eu assisti a um dos últimos shows da banda. Not good news!

Links comentados sobre o Abril Pro Rock 

» http://www.abrilprorock.com.br
Site oficial do evento, exemplo de má utilização de Flash.
Confuso e não tem cobertura do evento. Lamentável.

» http://www.netsiri.com.br/noticias/mes04_02/cobertura/index.asp
Cobertura bem legal com Fotos e Vídeos atualizados durante o evento realizada pelo Portal sobre lazer e turismo em Pernambuco NetSiri.

» http://jc.uol.com.br/noticias/ler.php?codigo=4989&canal=118
Matéria sobre a sexta feira escrita pela jornalista Ana Luiza Aguiar que nem ao menos se deu ao luxo de confirmar a grafia correta dos nomes das bandas e chegou a afirmar que o The Mission toca um rockzinho (sic). Eu diria que ela precisa melhorar um pouco para ser chamada de reporterzinha.

The Mission em Recife 19/04/2002Pois é, acabei indo sozinho mesmo para a primeira noite do APR, sai de casa por volta das 08:30h e fui conferindo no caminho pela Rádio Cidade como estava a movimentação e se os shows haviam começado.

Na entrada já deu pra perceber que a produção caprichou na segurança, tinha mau-encarado-de-preto pra todo lado, sempre em bandos. Depois de receber um abanador com a bandeira e a letra do Hino de Pernambuco e um lenço da Kaiser de garotas-propaganda sorridentes, consegui chegar ao pavilhão onde os meninos da banda Psicopatas já estavam tocando no palco 2, isso mesmo eram meninos, pois a garotada não tinha mais do que 14 anos, e apesar de fazerem um som pesado, com o baterista se perdendo às vezes, empolgavam apenas os pais, familiares e amigos perto do palco. Para você sentir um pouco o clima, em uma das músicas “dedicada à minha professora de matemática” (sic) podia se ouvir o refrão: “Equação é coisa de mamão!”

No meio do (ainda) pequeno público encontrei logo de cara o Fábio Massari, VJ da MTV e presença certa no APR há alguns anos, apesar de ter dado alguns autógrafos poucas pessoas o percebiam por lá. Ele ficou na platéia até o final da segunda banda da noite os Subversivos.

A banda não poderia, por sinal, ter nome mais adequado, abriram e fecharam o show com o hino da Internacional Comunista, e todas as letras e discursos eram absolutamente leninistas, o símbolo da banda presente na bandeira, camisa e na jaqueta do vocalista é a tradicional foice+martelo, com o martelo transformado em um braço de guitarra. Deles eu guardei na memória o que considerei o ponto alto do show, uma música entitulada alguma coisa como “Destruam o PFL”. O vocalista desfraldou a bandeira deste famoso partido que foi pisoteada, cuspida e no ápice da apresentação devidamente rasgada. Apesar de não ser eleitor do PFL, a cena só me fez rir. Ahh, quase esqueço de falar do som deles, músicos bem competentes, em um som hardcore, com algumas melodias legais.

Por volta das 22:00h, com um público ainda pequeno, a voz-apresentadora da noite convida todos a se aproximarem do palco principal, The Mission iria começar a sua apresentação. Eu já estava devidamente posicionado bem na frente, um pouco atrás de uma meia-dúzia (literalmente) de fãs exaltados da banda, tinham até faixa. Para quem não sabe o The Mission nasceu de ex-integrantes da famosa banda dark The Sisters of Mercy. Aquele público relativamente pequeno e pouco entusiasmado causou em mim uma sensação estranha, por um lado era do cacete estar ouvindo ao vivo uma das três melhores vozes do rock inglês (na minha opinião), um sonho, mas por outro eu sabia o quanto aquele público desinteressado era brochante para eles, que já lotaram ginásios e são respeitados internacionalmente. Pra piorar houve um rápido blackout durante o show seguido de problemas de microfonia que irritaram o vocalista Wayne Hussey.

Não decorei a playlist mas eles apresentaram uma coletânea dos maiores hits e algumas novas. As que eu me lembro que com certeza foram executadas: Wasteland, Deliverance, a mais conhecida Severina, Tower of Strength e a linda Garden of Delights. O mais importante porém, os caras foram competentes demais, os músicos tocaram impecavelmente e o Wayne Hussey tem uma super presença de palco e canta pra caralho (desculpe, palavrão inevitável).

Logo em seguida foi a vez da banda brasiliense Prot(o) tocar no palco 2, sinceramente não assisti ao show deles, fui comer uma coxinha de 1 real e descarregar as duas cervejas já tomadas. Por sinal um fato interessante a registrar, inexplicavelmente o banheiro onde uma imensa placa dizia Masculino, era para as mulheres, e o outro por eliminação era para nós, o que gerou fila pois obviamente o banheiro projetado para mulheres não possui mictórios para homens, nonsense.

Neste interim, encontrei um amigo (finalmente!) que acabara de chegar para assistir o Rodox. A banda estreante começou a detonar logo em seguida. Detonar neste caso, é para mim, no mau sentido. Porque o cara (Rodolfo) e seu clone de boné e barba (outro vocalista) só faziam pular e gritar, enquanto os três (!) guitarristas guerreavam contra o baixista ex-Los Hermanos e o baterista e sua bateria-metralhadora de dois bumbos. Entre algumas músicas Rodolfo fazia discursos com seu novo tom evangélico. Em resumo, achei uma m.. ops..droga!

Depois disso a apresentação dos impublicáveis Testículos de Mary soou suave em meus ouvidos, e foi pra mim uma surpresa. Tirando o figurino homo-erótico-trash, que me lembrou o Edu K do DeFalla, eles tocam direitinho e tem uma performance bem realizada. Eu achava que a apresentação deles era mais caótica, entretanto os caras mostraram que sabem muito bem o que estão fazendo e aquele escracho todo é muito bem pensado.

Depois de muitas horas em pé e pulando, sentei em frente ao palco 1 para descansar e esperar o Pato Fu. A idéia era eles apresentarem o show do novo disco Ruido Rosa ainda inédito no Recife, mas eles surpreenderam tocando hits antigos. No final o John desvendou a questão, eles fizeram uma homenagem aos 10 anos do festival tocando as músicas que haviam apresentado nas edições de 1995 e 1997. O show teve também um telão projetando imagens de computador sincronizadas com as músicas. Os últimos acordes foram tocados por volta das 01:30h do sábado.

Resumo da ópera, valeu a pena mesmo ter ido, mas que podia ter sido melhor isso podia.

PS. Foi mal o post-reportagem imenso, mas uma das minhas motivações principais para escrever neste blog é o registro de parte das minhas memórias, e esse foi um momento memorável.

Abril Pro Rock 2002 

Ainda não consegui ninguém para ir comigo amanhã pro Abril Pro Rock, vou sozinho mesmo e certamente encontro alguém conhecido. É o jeito.